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Arrependimento verdadeiro - A base da resposta (10/06/2007)

Através da oração, o homem tem combatido fronteiras e muitas vezes reestabelecido sua comunhão com Deus, consequentemente sendo restaurado pela graça e misericórdia do Senhor Jesus.

Quando nos tratamos de vida de oração, é impossível deixar de citar o exemplo de vida de Neemias, um dos homens da Bíblia que mais demonstra um espírito de contrição e humilhação diante de Deus. Estamos vivendo em uma época já profetizada por Jesus Cristo há vários séculos atrás. Jesus já afirmava no Evangelho de Mateus 11.34: “Eu vim para pôr os filhos contra os pais, as filhas contra as mães e as noras contra as sogras. E os piores inimigos de qualquer pessoa serão seus próprios parentes”. Essa realidade é vista atualmente, com casos de, por exemplo, uma filha ser conivente com o assassinato de seus próprios pais, fato recentemente reportado e repercutido internacionalmente.

Na realidade, Salomão, em seu livro Eclesiastes, diz algo muito interessante acerca das situações vividas atualmente: “Nunca pergunte: ‘Por que será que antigamente tudo era melhor?’ – Essa pergunta não é sábia (EC 6:10 ATLH)”. O sábio nos revela também um fato que devemos ressaltar: “Tudo o que acontece ou que pode acontecer já aconteceu antes (EC 3:15 ATLH)”. O que tiramos de lição nesses dois trechos bíblicos?

Percebemos que não é de hoje que o mundo é castigado pelo pecado. O motivo de todo mal que envolve o mundo hoje é conseqüência do pecado de Adão e Eva, que se entregaram ao poder do pecado. Desde então, o homem nasce com sua natureza pecaminosa e sob domínio do pecado. Jesus Cristo veio para nos resgatar disso. E nós como crentes, devemos estar cientes do nosso papel como servos de Cristo Jesus, e isso essencialmente se baseia na vida de oração.

Retornando à vida de Neemias, ele se tornou o governador de Judá, por causa do mover do Espírito Santo em seu coração. A história de Israel é marcada pela desobediência e quebrantamento do povo de Deus após muito castigo e sofrimento. A história desse homem se passa na época da queda de Israel. Judá estava completamente destruída, e sobreviveram poucos israelitas do cativeiro. Neemias, quebrantado pelo poder do Senhor, clamou ao Eterno, dizendo: “Não temos obedecido às leis que nos deste por meio de teu servo Moisés. Lembra agora do que disseste a ele: ‘Se vocês, povo de Israel, forem infiéis a mim, eu os espalharei entre as outras nações. Mas, se depois disso, vocês de voltarem para mim e obedecerem aos meus mandamentos, eu os trarei de volta para o lugar que escolhi para ali ser adorado, mesmo que vocês estejam espalhados pelos fins da terra (NE 1:7b-9 ATLH).”

Examinando o que o texto acima, percebemos que a mão de Deus é poderosa, e que Ele realmente vem a castigar com justiça e majestade aqueles que não cumprem seus propósitos de vida os quais foram traçados por Ele. Notamos que a desobediência de Israel aos mandamentos do Senhor fez com que eles (até hoje) se espalhassem por toda Terra, e se distanciassem da presença do Senhor, além de serem constantemente castigados. O porque de tudo isso está na falta de quebrantamento e humilhação diante do Senhor por parte do Seu povo.

Assim como aconteceu com os judeus, há muitos anos atrás, assim ocorre até hoje, como prova de que a Palavra de Deus é eterna e viva, além de poderosa para se cumprir independente do tempo. Isso inclui aos crentes que se afastaram do convívio cristão e até a nós mesmos, que muitas vezes nos desviamos do propósito de Deus para determinadas ocasiões de nossas vidas.

Mais adiante, Deus atende a oração de Neemias, enquanto ele conversava com seu patrão, que era o rei da Pérsia, na época. O rei perguntou o que ele queria, visto que Neemias, seu servo, estava com a aparência muito abatida e isso entristeceu a ele. Pelo poder do Senhor, Neemias, ao pedir para que pudesse voltar à terra de seus antepassados afim de reconstruí-la, teve seu pedido aceito pelo rei Artaxerxes. No versículo oitavo do segundo capítulo do livro, Neemias finaliza com convicção: “E o rei me deu tudo o que pedi porque Deus estava comigo (NE 2:8b ATLH)”.

Na continuação da história, Neemias relata onde e por quem cada parte da cidade de Jerusalém foi construída. No verso oito do capítulo terceiro, vemos que todas as pessoas, independente da sua posição participaram da reconstrução da cidade: “Uziel, filho de Haraías, que era ourives, construiu o trecho seguinte; Hananias, que era perfumista, construiu o trecho seguinte, até a Muralha Larga”. O que nos mostra esse verso? Nos exemplifica que, na edificação do povo de Deus, todos nós devemos estar dispostos a reconstruir. Não se pode dizer não à causa da oração, por exemplo, pois é por ela que Deus nos derrama sabedoria e capacidade para Sua obra.

O orgulho e a vaidade também se inserem no contexto cristão. Muitas vezes deixamos de lado coisas que julgamos não serem de competência nossa. Isso é o nosso ego se sobressaindo. Neemias 3:5b diz: “Mas os homens importantes da cidade não quiseram fazer o trabalho braçal que os mestres-de-obras mandaram”. Devemos sempre refletir em cima desse verso aplicando-o ao conceito de servir a Deus. Ora, às vezes deixamos de lado o que o Senhor nos manda para continuarmos apenas no conforto dos bancos do templo, ou quem sabe numa posição que nos leva a acreditar que não cabe a nós abrir mão da mesma para fazer o serviço. Irmãos, devemos nos recordar da desobediência do povo de Israel, chamado na Bíblia por “Povo de Deus”! Sabemos bem as conseqüências da desobediência e da indisciplina. O orgulho e a falta de humildade, que impedem-nos muitas vezes de fazer a obra, estão inseridos no conceito de desobediência. Afinal, quando não priorizamos a Deus, estamos desobedecendo toda a Lei, porque o mandamento principal para qe sejam seguidos os restantes é justamente o de entronizar Deus em nossas vidas! Como entronizar a Deus com um coração orgulhoso?

No livro do profeta Joel, Deus nos revela o que realmente Ele quer de nós: “Em sinal de arrependimento, não rasguem as roupas, mas sim o coração (JL 2:13 ATLH)”. O que aprendemos com este ensinamento, é que não devemos apenas “rasgar as nossas vestes”, termo que se refere às confissões públicas de arrependimento. Muitas vezes, erguemos as mãos, pulamos e louvamos, mas nosso coração está frio, contraído... O que Deus quer é quebrantamento, e é isso que devemos estar pondo em prática nesses dias que estaremos juntos!

Quanto à Jerusalém: esta foi totalmente reconstruída. Em cada capítulo da história de Neemias, percebemos o quebrantamento dele diante do Senhor, pedindo a orientação e proteção contra o inimigo. O orgulho das pessoas, como vimos anteriormente, e também as acusações falsas dos inimigos de outras nações, estariam por interferir na obra que era para glória de Deus. Mas, sendo ela da vontade do Senhor, Deus não permitiu que nada de mal acontecesse, e que Sua vontade fosse cumprida. Neemias foi instrumento usado por Deus para isso, pois sem o seu quebrantamento, sua humildade e suas orações em clamor pela sua nação, como havia Deus de cumprir a sua promessa, vista no início de nosso estudo? Aquela, onde diz: “Mas, se depois disso, vocês de voltarem para mim e obedecerem aos meus mandamentos, eu os trarei de volta para o lugar que escolhi para ali ser adorado, mesmo que vocês estejam espalhados pelos fins da terra (NE 1:7b-9 ATLH)”.

Deus quer arrependimento. Ele está de braços abertos para nos receber junto a Ele. Que sejamos todos verdadeiros servos do Senhor comprometidos em nos prostrar diante de Sua presença nesses dias e até a Sua volta, para que possamos trazer de volta aos Seu povo aqueles que, pelo pecado, se afastaram de Sua presença. E que possamos envolver toda a Terra com nossa adoração a Deus, por meio da oração, algo precioso e de poder que o Senhor nos instituiu para estarmos mais e mais diante de Sua presença.

Ao Senhor toda honra, glória, força, poder, majestade e domínio sobre todas as nações. Que o Senhor Jesus, que ouve o clamor dos nossos corações, esteja conosco, agora e sempre! Amén!

(André Grilo - PIBN)